12.8.08

Obama e a sua política externa

O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, tem sido alvo de várias críticas em relação a sua inexperiência no quesito política externa. De fato, Obama não demonstra possuir muito conhecimento das relações internacionais e teve inclusive o infortúnio de ter proferido uma frase infeliz sobre Jerusalém enquanto capital de Israel.
Inegavelmente há fatos nesta área da política na contra-maõ do seu sucesso, no entanto, à semelhança de qualquer outro presidente norte-americano, a política externa dos EUA é quase sempre feita por uma equipe que engloba desde o Presidente aos Secretários de Estado e de Defesa, passando pelo Conselheiro de Segurança Nacional e pelos consultores políticos.
Sendo assim, é sempre imprudente e precipitado analisar-se as qualidades técnicas de um candidato relativamente aos assuntos de política externa através de sondagens superficiais sem antes se conhecer a sua equipe e aqueles que o podem influenciar na sua decisão.
Segue abaixo uma entrevista com Greg Craig, conselheiro de política externa do Obama.
Clique aqui para acessar o vídeo da entrevista

Guerra do Iraque
Greg Craig inicia a enrevista afirmando em nome do Obama que foi um erro os EUA terem entrado na Guerra do Iraque, pois essa contenda drena recursos do povo americano e do setor militar deste país, desviando-os do que deveria ser o foco da política contra o terror, o Afeganistão.
Craig completa dizendo que é viável, sim, a promessa do candidato democrata de acabar esta guerra através de uma gradual retirada das tropas norte-americanas dentro dos primeiros 16 meses de governo.

Guerra do Afeganistão
Sobre o Afeganistão, o conselheiro acredita que serão necessárias cerca três décadas de intervenção no país ou até que os objetivos principais sejam atingidos, quais sejam:
  • retomar a ordem pública e a segurança do país;
  • alavancar o desenvolvimento humano;
  • acabar com o narcotráfico afegão, baseado no ópio (vale lembrar que 35% do PIB deste país é advindo da produção de papoula, a matéria-prima do ópio)
  • construir instituições políticas estáveis.
Segundo ele, essa intervenção é uma necessidade urgente para os Estados Unidos por ter relação direta com o terrorismo e demandará não só tropas no chão como técnicos e profissionais que serão empregados em geral na construção das instituições políticas deste narcoestado falido.

Questão do Oriente Médio
A respeito da situação de conflito existente entre a Palestina e Israel, Craig diz tratar-se de um ponto vital para a paz de todo o Oriente Médio que com a devida atenção norte-americana e com apurada habilidade diplomática será resolvido.
Jerusalem should remain the undivided capital of Israel
Greg Craig referiu-se a esta frase do candidato democrata para dizer que ele quis deixar bem claro a sua desaprovação a uma cidade dividida com arames farpados e barricadas, como a antiga Berlim, e que tal afirmação do Obama nada tem a ver com o resultado que se espera das negociações.

Petróleo e Mudanças Climáticas
O conselheiro do Obama atribui a ele uma sensibilidade relacionada aos problemas ambientais. "He gets it"; conforme disse, o democrata entende a magnitude deste problema, os perigos e problemas associados às emissões de CO2 advindas da combustão de combustível fóssil.
Craig completa afirmando que este tópico é de fato um desafio político para o próximo presidente uma vez que requer extremo esforço político domesticamente assim como ações concertadas no plano internacional.

Sobre as mudanças climáticas Obama quer especificamente um corte de 80% na emissão de gases do efeito estufa por parte dos EUA. Pretende também liderar um esforço global no combate às mudanças climáticas e projeta o investimento de 150 bilhões de dólares em energia limpa durante 10 anos. Sua política ambiental, então, evidentemente torna o Brasil um aliado em potencial, uma vez que o etanol brasileiro é o que apresenta a maior produtividade e o melhor custo-benefício. Pode-se esperar, portanto, que o Brasil venha a receber investimentos na área de Engenharia Ambiental e Agrícola, por exemplo.

Enfim, as mudanças propugnadas por Obama em tantos campos encontram eco nas suas linhas de política externa. O problema é saber até quando esta será a política afinada com os desejos do candidato "flip-flop".