Hoje foram veículados na imprensa vários artigos relacionados ao cessar-fogo assinado ontém, 12 de agosto, entre o presidente russo, Dmitri Mdvedev, e o georgiano, Mikhail Saakashvili, com destaque para a mediação do presidente francês Nicolas Sarkozy.
Porém, conforme eu havia dito ontém no artigo Guerra na Geórgia, caso a Rússia obtivesse sucesso na dominação da Ossétia do Sul, a região georgiana de maioria eslava que urge por independência em relação ao governo central da Geórgia, Moscou ultrapassaria os limites desta província e dominaria outras cidades e seguiria provavelmente em direção à Abkhazia, outra região separatista pró-Rússia.

De fato, a Rússia foi bem sucedida na investida inicial na Ossétia do Sul e avançou pela Abkhazia, dominou também Gori, a cidade onde nasceu Stalin, e segundo informações chegou mesmo a cercar a capital, Tbilisi. No entanto, quase todo esse avanço russo ocorreu após a assinatura do cessar-fogo acordado enre os dois países, o que preocupou o ocidente, que agora pensa em retaliações para a Rússia, sendo a não-aceitação da Rússia na OMC a mais provável de ser efetivada.
Essas retaliações vêm sendo discutidas sobretudo entre as potências integrantes da OTAN, organização que tem hesitado aceitar a Geórgia como um membro pleno e que agora provavelmente não mais cogitará essa hipótese pelo clima inflamável que se segue na região do Cáucaso, na Eurásia.
No início da guerra o presidente georgiano Saakashvili afirmou que o ocidente, lê-se OTAN ou Estados Unidos, iria ajudar o país democrático que é a Geórgia na guerra, contudo os fatos confirmam que a OTAN não interviu militarmente e, como havia previsto no meu artigo anterior, enviará somente tropas de ajuda humanitária para o local. Aliás, um avião militar americano já pousou na capital Tbilisi com medicamentos e outros suprimentos.
O fato a ser levado em consideração é que essa guerra na Geórgia foi a meu ver uma demonstração de poder por parte dos russos que indica o seu descontentamento com o avanço das fronteiras da OTAN. Foi uma batalha travada entre a Rússia e o Ocidente, e que só foi tão fácil porque ambos dependem entre si. Veja algumas matérias que foram publicadas a esse respeito hoje:
Clique na imagem para assistir ao vídeo do discurso do presidente Bush em apoio ao governo da Geórgia e com comentários sobre as ações militares russas após a trégüa.
Porém, conforme eu havia dito ontém no artigo Guerra na Geórgia, caso a Rússia obtivesse sucesso na dominação da Ossétia do Sul, a região georgiana de maioria eslava que urge por independência em relação ao governo central da Geórgia, Moscou ultrapassaria os limites desta província e dominaria outras cidades e seguiria provavelmente em direção à Abkhazia, outra região separatista pró-Rússia.

De fato, a Rússia foi bem sucedida na investida inicial na Ossétia do Sul e avançou pela Abkhazia, dominou também Gori, a cidade onde nasceu Stalin, e segundo informações chegou mesmo a cercar a capital, Tbilisi. No entanto, quase todo esse avanço russo ocorreu após a assinatura do cessar-fogo acordado enre os dois países, o que preocupou o ocidente, que agora pensa em retaliações para a Rússia, sendo a não-aceitação da Rússia na OMC a mais provável de ser efetivada.
Essas retaliações vêm sendo discutidas sobretudo entre as potências integrantes da OTAN, organização que tem hesitado aceitar a Geórgia como um membro pleno e que agora provavelmente não mais cogitará essa hipótese pelo clima inflamável que se segue na região do Cáucaso, na Eurásia.
No início da guerra o presidente georgiano Saakashvili afirmou que o ocidente, lê-se OTAN ou Estados Unidos, iria ajudar o país democrático que é a Geórgia na guerra, contudo os fatos confirmam que a OTAN não interviu militarmente e, como havia previsto no meu artigo anterior, enviará somente tropas de ajuda humanitária para o local. Aliás, um avião militar americano já pousou na capital Tbilisi com medicamentos e outros suprimentos.O fato a ser levado em consideração é que essa guerra na Geórgia foi a meu ver uma demonstração de poder por parte dos russos que indica o seu descontentamento com o avanço das fronteiras da OTAN. Foi uma batalha travada entre a Rússia e o Ocidente, e que só foi tão fácil porque ambos dependem entre si. Veja algumas matérias que foram publicadas a esse respeito hoje:
Russia: It has emerged strongly, able to impose its will in South Ossetia and sending a clear signal about its readiness to assert itself [...]
[...]Russia wants (or will want) to be better integrated into the world economic system and to be taken seriously as a diplomatic partner.
The West needs Russian support in the confrontation with Iran and Sudan, for example. Winners and losers after Georgia conflict - BBC News
Após quatro dias de apatia, o governo americano reagiu ontem à crise. Anunciou a suspensão de manobras navais conjuntas entre a Rússia e a Otan (a aliança militar ocidental). E ameaça bloquear a participação da Rússia em entidades internacionais, com referência específica à OMC. A adesão da Rússia, que vem sendo negociada há várias anos, precisa da aprovação de todos os países-membros. Acordo encerra combates na Geórgia - Valor Online
President George W Bush has said the US will use military aircraft and naval forces to deliver aid to Georgia following its conflict with Russia.
Speaking in Washington, he expressed concern about reports of continuing Russian action in Georgia, and urged Russia to respect a ceasefire accord. US forces to deliver Georgia aid - BBC News
- Não estamos em 1968, quando a Rússia invadiu a Tchecoslováquia. A Rússia não pode ameaçar seus vizinhos, ocupar uma capital e sair impune - disse Rice referindo-se ao envio de tropas russas a Praga naquele ano para deter o movimento reformista que ficou conhecido como "Primavera de Praga". Condoleeza: Rússia não pode ameaçar seus vizinhos, ocupar uma capital e sair impune - O Globo Online
Se no plano político a Geórgia e a Rússia concordaram com um acordo de paz para pôr fim a uma guerra de cinco dias, no campo de batalha olímpico, em Pequim, os dois países não deram a chance à trégua na partida de vôlei de praia feminino que eliminou as russas Natalia Uryadova e Alexandra Shiryaeva. A vitória ficou com as brasileiras Cristine Santana e Andreza Martins, naturalizadas georgianas. As quatro jogadoras bem que tentaram manter um clima amistoso, entrando em quadra abraçadas, mas a partida terminou com bate-boca. No vôlei de praia, Geórgia derrota Rússia com dupla brasileira e bate-boca em quadra - O Globo Online
Clique na imagem para assistir ao vídeo do discurso do presidente Bush em apoio ao governo da Geórgia e com comentários sobre as ações militares russas após a trégüa.
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2 comentários:
Li atentamente o seu post e achei correcto em termos de informação. Contudo queria recordar-lhe que foi a Georgia que no dia 6/8 atacou a Ossetia do Sul mantando dezenas de civis e alguns militares russos da força de manutenção de paz. Outra informação que talvez não saiba e que surge num jornal americano tem que ver com o facto de no dai 7/8 os russos terem pedido uma reunião do conselho de segurança que só não resultou num acordo porque americanos ingleses e georgianos não concordaram com o texto proposto pelos russos que obrigava as partes envolvidas a não utilizarem o recurso à força.
Sem querer entrar na teoria da conspiração acho que esta guerra foi muito importante para a candidatura do Senador MacCain.
Caro Paulo
A Russia tem como objectivo de curto prazo ser reconhecida como potencia regional o que lhe dará controlo sobre todos as reservas energéticas da Asia Central. Guerras proxy, claro, a Russia está a opor-se às manobras de cerco dos US dando a entender que dispõe de meios para com ou sem sistema ati-missil americano, colocar a Polonia os Estados Balticos e a Ucrania numa situação muito desconfortavel .
A logica da posição da Russia em relação ao sistema anti-misseis é precisamente igual à dos US em relação à capacidade nuclear do Irão.
O presidente da Georgia arriscou a aventura militar porque tem um trunfo que lhe foi dado pelos amigos americanos. A Georgia é atravessada pelo único oleaduto que os russos não controlam, que vai do Azerbeijão até à Turquia e que tem uma importância fundamental para a Europa. A ocupação da Georgia pela Russia seria o equivalente da tomada do Koweit pelo Iraque durante a I Guerra do Golfo.
O nosso amigo McCain tem relações muito proximas com o presidente da Georgia através do seu antigo acessor para os negocios estrangeiros Randy Scheunemann que é um “lobbyista” pago pela Georgia que tem tentado a entrada deste país na Nato. Em 2006 McCain visitou a Georgia e atacou os separatistas da Ossetia do Sul declarou que a Georgia era a melhor amiga da América e que as forças russas de manutenção de paz estaciobnadas na Ossétia deveriam ser expulsas.
Por outro lado é tactica dos republicanos quando querem conquistar o poder ou retirar direitos civis aos americanos, começarem a acenar com as ameaças externas. Assim fez Bush a seguir ao 11 de Setembro . Quanto à conversa belicista do Sr. McCain é só para americano ver ou seja ele ganhar votos, porque actualmente nem a America e muito menos a Nato se poderiam envolver em novas acções militares e logo contra a russia que conta com um efectivo de quase 5 milhões de homens e varias dezenas de milhares de tanques e aviões para alem das armas estrategicas
Quanto aos dados sobre a reunião do Conselho de Segurança estavam num artigo do jornalista Mark Ames chamado “Getting Georgia’s war on” publicado no jornal “The Nation”
Um abraço
O Viajante
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